Unesco Montevideo

História Do Edifício Mercosul

No dia 17 de maio de 1906, a empresa Luis Crodara e Cia. solicitou autorização à Prefeitura de Montevidéu para construir, numa área vizinha à praia da antiga charqueada de Ramirez, um edifício para a sede do “Hotel-Teatro-Cassino do Parque Urbano”. Sobre os planos originais do arquiteto francês Pierre Lorenzi, a construção foi contratada pela empresa Crodara com o Arquiteto Guillermo West, e no dia 30 de dezembro de 1909 foi inaugurada na intersecção das atuais avenidas Rambla Presidente Wilson, Juan D. Jackson, Dr. Luis Piera e Dr. Pablo de Maria.

Sua construção está baseada em um sistema misto de muros portantes e pilares de ferro e vigas do mesmo material, desde o subsolo até o térreo.

As fundações são muros contínuos de pedra submersa em areia e cal, com uma média de oitenta a cem centímetros de espessura, com a presença permanente de águas de lençóis freáticos, que obriga a existência de poços com bombas submergidas, para o deságüe.

A partir dos tetos do térreo o sistema é de muros portantes.

Os planos horizontais de fechamento (mezanino e tetos) estão construídos com um sistema de vigas de ferro e pequenas cúpulas de dois tijolos em “V”. Estas vigas estão apoiadas em um muro mestre e em vigas de ferro de perfilaria de dimensões variáveis.

Os forros originais eram de metal e morteiros de cal e gesso, mas atualmente a maioria foi substituída por forros de cerâmicas acústicas. Os salões do Térreo possuem um sobreteto de fibrocimento, através de chapas ondeadas e os salões que compõe o cassino possuem uma cobertura superior de alumínio a quatro águas.
A sala de nácar tem tetos de cimento armado e foi edificada aproximadamente em 1960, data da última ampliação. Tanto o salão refeitório quanto o de festas possui uma capacidade para mais de 500 pessoas sentadas.

A inauguração foi prevista para o Natal de 1909, mas teve de ser protelada para o dia 30 de dezembro, devido ao atraso do navio que trazia os fogões da Alemanha. Sabia-se de antemão que nesse dia ainda não funcionariam os pequenos e chamativos artefatos elétricos das suítes, que os elevadores só funcionariam 10 dias depois e que as caldeiras de aquecimento não estariam prontas até abril.

Os institutos de beleza do térreo estavam totalmente montados e possuíam um setor para damas e outro para cavalheiros. No subsolo, estavam os alojamentos para babás e pessoal doméstico que acompanhavam seus patrões no veraneio. Havia também duas quadras de tênis.

Na noite da inauguração, observavam-se lustres franceses que ornamentavam os enormes salões, os refeitórios, o magnífico hall, o salão de chá, o salão de baile e o cassino, enquanto duas grandes orquestras contratadas em Buenos Aires animavam a reunião e o baile posterior.

Até o Parque Urbano (atual Parque Rodó) já chegavam os inovadores bondes elétricos, inaugurados três anos antes, e às portas do luxuosíssimo Hotel os primeiros táxis ofereciam seus serviços.

No dia 1 de dezembro de 1915, a Prefeitura da capital – tendo como prefeito Don Santiago Rivas – adquiriu o local da “Sociedade Anônima Cassino Parque Hotel”, por um total de um milhão e cem mil pesos.

Desde os primeiros tempos, O “Parque Hotel” foi centro importante da vida social montevideana, com festas memoráveis e, no Carnaval, foi sede de “Veglioni” com a atuação de famosas orquestras internacionais e rio-platenses, entre as que se encontrava a de Armando Orefiche: “Los Lecuona Cuban Boy”.

Em março de 2002, o Ministério de Relações Exteriores emprestou vários espaços do ex Parque Hotel – agora Edifício MERCOSUL – à Sede Administrativa do MERCOSUL, a Organização dos Estados Americanos  (OEA), o Programa Regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento  Agrícola (FIDA-MERCOSUL) e a UNESCO para que instalassem ali suas sedes no Uruguai.

Texto extraído de: Los Barrios de Montevideo VIII : Antiguos Pueblos y Nuevos Barrios / Aníbal Barrios Pintos ; Washington Reyes Abadie. – Montevideo. Intendencia Municipal de Montevideo, 1990.

Gentileza da Biblioteca da ˝Junta Departamental˝ de Montevideo


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